A decisão de focar a estratégia de comunicação em apenas um canal prioritário, ou plataforma, é um risco estratégico e pode colocar uma empresa ou um perfil de rreator refém deste canal.
Uma empresa que foca boa parte de sua estratégia de alcance, por exemplo, no Instagram corre riscos em uma série de questões.
A primeira delas é conhecida das agências de marketing digital e dos creators: as mudanças do algoritmo que causam quedas abruptas do alcance orgânico, visualizações e engajamento. Pior que as mudanças são as atitudes das plataformas – não tornam público o que alteraram e são verdadeiras caixas-pretas.
Desde que começamos a operar com as redes sociais aqui na 140 Online e na Art Presse, agência de comunicação boutique, já vimos de tudo em relação à questão da segurança das contas, a começar por problemas de acesso à própria conta quando se perdem as senhas ou a pessoa que criou o perfil não trabalha mais na empresa ou não tem mais o número do celular de autenticação.
Outro grande problema é a falta de comunicação com a plataforma (a Meta, por exemplo, é exemplar nisso, é impossível contatar alguém para resolver problemas), a perda do canal de comunicação com a audiência devido a erros de moderação automatizada, denúncias em massa ou falhas de segurança.
Em relação ao impulsionamento, ou tráfego, quer algo mais irritante que alterações nas regras de monetização? já verificamos a redução acentuada de repasses de receita ou proibição de certos formatos de publicidade, sem lógica ou explicação por parte das plataformas.
Há, claro, perda de relevância de uma plataforma, lembra do Orkut? Ainda não aconteceu no Brasil, mas imagina se o governo consegue tirar do ar o Instagram ou o YouTube? (o TikTok, nos EUA, quase saiu do ar por causa de problemas com o governo de Donald Trump).
Refém de uma plataforma como WhatsApp
Para empresas que primam pelo relacionamento com os seus clientes por meio das redes sociais há a questão da portabilidade: é impossível migrar os seguidores ou contatos para outra base, já que os dados pertencem à plataforma e não ao criador.
E há também a questão de públicos. O TikTok é um público mais jovem. O Kwai tem foco nas franjas C eD do interior do Brasil. Depender de uma única plataforma limita o crescimento da marca porque se fica preso ao formato de conteúdo e ao público nativo daquele ecossistema. Fora que algumas restringem a preferências de seleção de audiência ou dados demográficos, além da dependência em um único formato de mídia (vídeo curto, texto ou imagem).
Talvez o WhatsApp seja um dos exemplos mais críticos desse risco porque este canal de mensageria lida diretamente com o maior ativo de um negócio: o canal de vendas e atendimento pós-venda.
Todo mundo sabe como é complexo criar e construir uma estratégia de comunicação, lançamentos e relacionamento baseada em canais de transmissão ou listas no WhatsApp. Isso significa terceirizar a própria sobrevivência a um intermediário implacável, a Meta.
Instabilidade técnica pode paralisar
Nesta plataforma, os riscos são enormes. A empresa pode ser bloqueada por algoritmo (falso positivo). Ou uma instabilidade técnica pode paralisar as vendas ou os clientes ficarem sem respostas (e no WhatsApp todo mundo quer respostas imediatas do robô ou de atendimentos humanos).
Quem contrata o WhatsApp business tem de saber que as regras de conformidade da API mudam sem qualquer aviso. Por exemplo: o envio de certos links que são permitidos hoje, amanhã podem não ser, bem como palavras-chaves.
O principal insight deste artigo: nunca coloque todo o seu investimento em redes sociais em apenas uma plataforma ou canal.

