O impacto das novas regras para os influenciadores

Influenciadores

Mudanças no mercado de influenciadores. A creator economy brasileira acaba de entrar em uma nova fase, mais regulada, mais monitorada e muito mais sensível a questões de reputação, segurança digital e governança de conteúdo. E a razão é a publicação, pelo governo federal, em maio deste ano, dos Decretos nº 12.975 e nº 12.976.

Os decretos atualizam regras relacionadas ao Marco Civil da Internet e criam novas diretrizes para proteção no ambiente digital, como já explicamos aqui. E isso deve impactar diretamente os influenciadores. Em outras palavras: youtubers, streamers, podcasters, tiktokers, writers, gamers, educadores online, artistas digitais e até especialistas que produzem conteúdo em plataformas profissionais como Linkedin. Jô

Esse impacto é relevante se pensarmos que a creator economy brasileira saiu de um fenômeno de nicho para se tornar, nos últimos anos, uma das estratégias de comunicação mais utilizadas no marketing, na publicidade e na economia digital do país.

Influenciadores: profissionalização

Hoje, o Brasil o cupa a segunda posição mundial em número de influenciadores no Instagram, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados da HypeAuditor, o Brasil concentra cerca de 10,2% de todos os creators da plataforma no mundo, com aproximadamente 4,4 milhões de influenciadores ativos.

O crescimento foi explosivo especialmente entre 2023 e 2025. Levantamentos da plataforma Influency.me mostram que o número de influenciadores praticamente dobrou em pouco tempo: passou de cerca de 1,2 milhão em 2024 para mais de 2 milhões em 2025. Em 2026, o mercado já supera 2,1 milhões de profissionais cadastrados em plataformas de influência.

As novas normas chegam em um momento em que o mercado de creators vive forte profissionalização e movimenta bilhões em publicidade. Mas também em um cenário marcado por crescimento de desinformação, deepfakes, campanhas coordenadas de assédio, uso massivo de inteligência artificial generativa e aumento da pressão sobre plataformas digitais.

Embora os Decretos tenham como foco principal as plataformas, especialistas apontam que os efeitos indiretos sobre a creator economy devem ser profundos. Isso porque redes sociais, marketplaces de conteúdo e plataformas de vídeo passam a operar com foco em responsabilidade ativa. Ao invés de apenas reagirem após notificações judiciais, empresas digitais passam a ser pressionadas a agir preventivamente diante de conteúdos potencialmente ilícitos ou considerados danosos.

Nova dinâmica de monetização

Isso muda a dinâmica de monetização e distribuição de conteúdo. Creators que trabalham com humor ácido, comentários políticos, fofoca, cobertura de celebridades ou formatos baseados em controvérsia podem enfrentar aumento de restrições algorítmicas, desmonetização ou remoção acelerada de publicações.

Conteúdos gerados por IA também entram no radar, especialmente aqueles que envolvam manipulação de imagem, voz ou identidade digital. E principalmente em um momento em que a IA permite uma produção de conteúdo em escala industrial e memes hiper-realistas, vídeos sintéticos e avatares digitais passaram a circular com facilidade nas plataformas, em geral, sem mecanismos claros de identificação.

Para marcas e anunciantes, os decretos devem acelerar uma tendência que já vinha ganhando força nos últimos anos: o reforço de práticas de brand safety e compliance digital.

Se nos últimos anos o mercado cresceu impulsionado pela lógica do alcance rápido, da viralização e da espontaneidade, o novo cenário aponta para um ambiente mais próximo das regras tradicionais da mídia e da publicidade corporativa, com maior ênfase para responsabilidade, rastreabilidade e controle reputacional.

Para influenciadores, agências e marcas produzir conteúdo continua sendo fundamental. Mas, a partir de agora, saber gerenciar risco digital pode se tornar tão importante quanto conquistar audiência.

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