O que você faz quando se depara com a CTA “clique no link da bio”, em um post do Instagram? É bem possível que deixe para lá, se o seu interesse pelo conteúdo não for enorme.
Durante muito tempo, essa frase foi um padrão para marcas, influenciadores e criadores de conteúdo que queriam levar o público para um site, uma loja virtual ou uma página de cadastro.
Embora não exista um estudo específico afirmando que “link na bio” converte menos, algumas linhas de pesquisa explicam porque esse tipo de CTA tende a ser menos eficiente do que links diretos.
Pesquisadores como Richard Thaler, economista e vencedor do Prêmio Nobel, e Cass Sunstein, especialista em direito e regulação, dois nomes da economia comportamental (behavioral economics), demonstram que pequenas barreiras reduzem significativamente a probabilidade de uma ação ser concluída. Em ambiente digital, mudar de tela, procurar um link ou tomar uma decisão extra representa esse tipo de atrito.
Por outro lado, estudo da CreatorFlow (aqui) aponta que a taxa média de clique (CTR) no link da bio do Instagram varia entre 1% e 3.4%. Em contas com páginas altamente otimizadas o índice chega entre 4% a 6%, enquanto perfis sem estratégias claras de chamada para ação (CTA) ficam abaixo de 1%.
Taxas satisfatórias
Essas taxas são comparáveis às observadas em campanhas de email marketing. Em geral, são satisfatórias taxas de clique ou conversão entre 1% e 2%; resultados inferiores a 1% costumam indicar a necessidade de revisar a estratégia, enquanto índices superiores a 2% são indicativos de que a campanha foi bem-sucedida e as ações adotadas foram eficazes.
Aqui na 140 Online consideramos que quanto menos trabalho o usuário tiver para realizar uma ação, maiores são as chances dele realmente ir até o fim. E isso inclui reduzir o número de cliques no caminho.
Apesar disso, no digital, é recomendável usar todas as possibilidades à disposição. Em outras palavras, recomendamos não só a utilização do “link na bio”, em conjunto com outras opções, como apresentamos a seguir.
O clique a mais
Em UX, o conceito de friction, ou atrito, se refere a qualquer obstáculo que torne uma tarefa mais demorada ou complicada.
Ou seja, quando alguém encontra um post dizendo “clique no link da bio”, normalmente precisa interromper o que está fazendo, entrar no perfil da marca, localizar o link, esperar a página carregar e, muitas vezes, dar mais um clique até chegar ao conteúdo desejado. Parece pouco, mas cada etapa aumenta a chance do usuário desistir no meio do caminho.
Isso acontece porque as próprias redes sociais projetaram um modelo para manter os usuários dentro da plataforma pelo maior tempo possível. Quanto mais tempo a pessoa permanece navegando no aplicativo, melhor para essas empresas.
E mais, vivemos a era da atenção, que é medida em segundos. Nesta métrica de tempo, temos de decidir simultaneamente entre dezenas de opções e quanto menos tempo perdemos daquele segundo precioso, melhor.
Pulando etapas
Embora não exista uma regra que diga exatamente quanto cada clique reduz a conversão, as boas práticas de UX mostram que jornadas mais longas costumam converter menos.
Basta observar como evoluiu o varejo eletrônico nos últimos anos. As empresas investem cada vez mais em recursos como compra em um clique (one click checkout) , login usando redes sociais, preenchimento automático de formulários e checkouts simplificados. Todas essas soluções têm o objetivo de eliminar barreiras entre a vontade de comprar e a conclusão da compra.
Outro ponto importante é o chamado “paradoxo da escolha”, conceito popularizado pelo psicólogo Barry Schwartz. Quando uma página apresenta muitos links, botões ou caminhos diferentes, o usuário tende a demorar mais para decidir ou simplesmente abandonar a navegação. Em muitos casos, uma única chamada para ação funciona melhor do que oferecer uma infinidade de possibilidades.
Dados do Linktree, a ferramenta que permite agrupar vários links em um único endereço de internet, reforçam essa ideia. Segundo a plataforma, os primeiros links recebem muito mais cliques do que os demais, mostrando que as pessoas querem encontrar rapidamente o que procuram, sem precisar explorar uma longa lista de opções.
O novo “link da bio”
Uma tendência que vem sendo observada é a substituição do tradicional “clique no link da bio” por chamadas como “me chama no Direct” ou “fale pelo WhatsApp”.
Ou seja, a conversa continua no ambiente em que o usuário já está ou é transferida, de maneira orgânica, para outro aplicativo como o WhatsApp. Neste caso, chamamos este modelo de “dark social”, em que levam-se os usuários de redes terceirizadas (como o Instagram) para ambientes proprietários, onde as marcas podem aprofundar o relacionamento e avançar na conversão.
Além de reduzir o atrito, isso facilita um atendimento mais próximo, permite o uso de automações e pode acelerar a geração de leads.
Mais uma vez: a recomendação é ampliar as possibilidades de contato ou relacionamento com os usuários, ao mesmo tempo em que recomendamos a manutenção do link na bio.

