O esforço do Threads para vingar no Brasil

O esforço do Threads para vingar no Brasil

Lançar novos apps de redes sociais é fácil. Difícil, e custoso, é fazer com que eles vinguem. E depois de lançá-los é preciso um intenso trabalho de ajustes e introdução de novas funcionalidades – como é o caso do Threads e do GloboPop, nova plataforma de vídeos curtos verticais da Globo.

O app da Meta, o Threads, anunciou que está testando uma nova maneira de incentivar o engajamento no feed, que permitirá aos usuários anexar emojis a palavras e termos específicos incluídos em uma publicação.

Funciona assim: o usuário pressiona e segura as palavras que deseja destacar e, em seguida, escolhe sua reação. Os destaques são públicos. Outras pessoas podem ver as reações, mesmo que o perfil seja privado.

O Threads enfrenta um desafio clássico: transformar base em engajamento qualificado. Há um volume significativo de usuários passivos na rede, que consomem conteúdo, mas não participam ativamente das conversas.

A nova função pode ser uma tentativa de aprofundar esse engajamento. Isso levanta um debate recorrente no setor: o que define, de fato, o sucesso de uma rede social? Escala ou intensidade de uso?

Rede social não é ciência exata

Criar uma rede social de sucesso não é uma ciência exata. Nos últimos anos várias tentativas não ganharam tração, mesmo quando vieram de gigantes como a Meta Platforms. O motivo é simples: não basta que a rede seja tecnicamente boa, é preciso que todo mundo esteja lá. E convencer usuários a migrar, reconstruir audiência e mudar hábitos não é simples.

O Threads é um bom exemplo de tentativa de ganhar relevância em um espaço já ocupado. A plataforma ultrapassou 400 milhões de usuários ativos mensais no mundo, com cerca de 36,4 milhões no Brasil, seu segundo maior mercado global (mesmo assim, é menos de 10% do Instagram/Facebook).

Quem usa o Instagram sabe como a Meta se esforça para que os usuários se convertam ao Threads, mostrando regularmente conteúdos adequados ao perfil.

O crescimento foi impulsionado por uma estratégia clara: reduzir ao máximo a fricção de entrada, permitindo a importação direta de perfis do Instagram. Será que está funcionando?

Em janeiro de 2026 a plataforma superou o X em número de usuários ativos diários via smartphone, tanto globalmente quanto no Brasil, embora ainda fique atrás em acessos via desktop.

Threads: o desafio de criar uma identidade

Ainda assim, o histórico da própria Meta mostra que nem sempre o domínio em redes sociais garante novos acertos. Antes do Threads, a empresa já testou diversas iniciativas que não decolaram. Aplicativos como o Lasso (voltado a vídeos curtos, concorrente do TikTok), o Rooms (salas públicas de interação) e até versões independentes de recursos do Instagram foram descontinuados após baixa adesão.

Recentemente, a empresa lançou o Instants, como já falamos por aqui. Trata-se de mais uma experiência cujo sucesso ainda não dá para se prever.

No fim das contas, o Threads parece caminhar entre dois objetivos: manter o crescimento acelerado e, ao mesmo tempo, construir uma cultura de uso mais ativa e engajada.

Se conseguir equilibrar esses fatores, pode consolidar-se, de fato, como uma rede social com identidade própria. Caso contrário, corre o risco de repetir um padrão já conhecido: muito alcance, pouca profundidade.

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