O novo padrão UCP do Google, o “http do comércio” eletrônico

O novo padrão UCP do Google, o “http do comércio” eletrônico

A mudança radical no sistema de buscas continua. O CEO do Google, Sundar Pichai, anunciou no último dia 11, durante a Retail’s Big Show (NRF 2026), a chegada do Universal Commerce Protocol (UCP), o novo padrão aberto “que transformará o comércio eletrônico” (segundo o Google).

E que transformação. O novo padrão permite que agentes de inteligência artificial realizem compras de ponta a ponta (da busca do produto ao pagamento e ao pós-venda), sem a necessidade de navegação humana em sites ou aplicativos.

Apresentado como uma espécie de “HTTP do comércio”, o UCP cria uma linguagem comum entre lojas, plataformas de pagamento e agentes de IA. A iniciativa conta com o apoio de grandes varejistas, empresas de tecnologia e meios de pagamento e sinaliza uma mudança estrutural no funcionamento do e-commerce global.

O UCP padroniza a forma como lojas expõem informações comerciais para agentes de IA. Ele cobre toda a jornada de compra, incluindo catálogo de produtos e variações, preços finais, impostos e promoções, estoque e prazos de entrega, políticas de troca e devolução, status do pedido e pós-venda.

Ao adotar o UCP, o lojista permite que diferentes agentes, integrados a buscadores, assistentes ou aplicativos, entendam sua oferta sem a necessidade de integrações customizadas.

Do clique humano à decisão algorítmica

Na prática, o UCP formaliza um movimento que já vinha ganhando força: o consumidor deixa de pesquisar manualmente e passa a delegar decisões de compra a assistentes inteligentes. Ao invés de comparar sites, o usuário descreve sua necessidade e o agente de IA analisa preço, prazo, políticas e disponibilidade para fechar a compra automaticamente.

Uma provável decorrência, é que o site tradicional perca protagonismo como interface principal. Ele continua existindo, mas passa a cumprir o papel de fornecer dados estruturados e regras claras para que máquinas consigam interpretar, comparar e decidir.

Impacto direto para lojistas

Para lojistas individuais, o lançamento do UCP representa uma mudança prática e imediata. O foco deixa de ser apenas design, copy e SEO tradicional, e passa a incluir estrutura de dados, clareza de regras e confiabilidade operacional, como já falamos anteriormente, aqui.

O lançamento do UCP também altera o equilíbrio do marketing digital. Agentes de IA não clicam em anúncios nem são influenciados por banners. Eles priorizam eficiência, custo-benefício e menor risco.

Isso, certamente, não significa o fim da marca ou da comunicação, mas reduz a centralidade da mídia paga como principal porta de entrada. Em compensação, a qualidade da operação (pontualidade na entrega, ausência de reclamações, pós-venda etc), passa a ter impacto direto na visibilidade da loja para agentes.

Checkout e pagamento no centro da estratégia

Embora o UCP trate da jornada completa, ele se conecta a protocolos complementares voltados a transações e pagamentos, como o Agentic Commerce Protocol (ACP), protocolo de comércio/checkout e pagamentos entre agentes e lojas, desenvolvido no ecossistema OpenAI + Stripe. Isso exige que lojas estejam preparadas para checkouts menos dependentes de interação humana, com fluxos claros de autorização, confirmação e cancelamento. Plataformas com arquitetura headless, APIs bem definidas e integração com gateways modernos tendem a sair na frente.

Uma virada estrutural no e-commerce

Nesse cenário, a pergunta-chave deixa de ser “como atrair cliques?” e passa a ser: “um agente de IA consegue entender minha oferta sem ambiguidades?”

O lançamento do Universal Commerce Protocol, é um passo importante para institucionalizar o chamado Agentic Commerce. Ele, muito provavelmente, redefine o papel do lojista, do site e da própria experiência de compra.

Se o e-commerce dos últimos anos foi guiado pela persuasão visual, o próximo será definido pela qualidade da infraestrutura. Nesse cenário, quem melhor e mais rapidamente se adaptar, tende a ser escolhido. Pelas inteligências artificiais.

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