O SEO em xeque com o agentic commerce

O SEO em xeque com o agentic commerce

A chegada dos agentes dos Agentic Commerce, sistemas de inteligência artificial que pesquisam, comparam, decidem e até concluem compras de forma autônoma, provocou uma mudança estrutural na forma como marcas, varejistas e plataformas pensam sua presença digital e na indexação, o SEO.

Mais do que uma inovação tecnológica, esses agentes colocam em xeque a prática tradicional de SEO (Search Engine Optimization), baseada há décadas na disputa por cliques e posições nos buscadores.

Até aqui, o SEO foi essencialmente uma atividade voltada a atrair tráfego humano, por meio de práticas como otimização de palavras-chave, produção de conteúdo editorial, link building e ajustes técnicos para melhorar o ranqueamento nas páginas de resultados do Google.

Com os agentes de commerce, o cenário mudou radicalmente. Quem passa a “buscar” não é mais apenas o consumidor, mas algoritmos que tomam decisões em seu nome.

Agentic commerce e o “zero click”

Esses agentes analisam preços, disponibilidade, prazos de entrega, políticas de troca, reputação da marca e avaliações de outros consumidores. Em muitos casos, fazem tudo isso sem que o usuário precise visitar um site. A recomendação ou a compra acontecem diretamente dentro de um chat, aplicativo ou assistente digital.

O resultado é o “zero-click commerce”, em que a visibilidade da marca não se mede mais apenas por acessos, mas por quantas vezes ela é escolhida pelo agente.

Nesse novo contexto, o SEO deixa de ser apenas uma estratégia de conteúdo e passa a ser uma engenharia de dados e confiabilidade. Informações estruturadas, padronizadas e atualizadas, como feeds de produtos, marcações em Schema.org, dados claros de estoque, preços e avaliações, tornam-se mais relevantes do que textos persuasivos longos. Para os agentes, dados consistentes valem mais do que retórica.

Autoridade e SEO

Outra mudança importante está na noção de autoridade. Se antes backlinks e menções em sites relevantes eram o principal sinal de reputação, agora os agentes analisam um conjunto mais amplo de evidências: histórico de reclamações, avaliações em marketplaces, menções na mídia, performance de logística e coerência das informações em diferentes canais.

O SEO passa a se fundir com gestão de reputação digital. Falhas recorrentes como atrasos na entrega ou políticas pouco claras são registradas pelos sistemas de IA.

O impacto também é organizacional. O SEO deixa de ser uma função isolada do marketing e passa a dialogar diretamente com produto, logística, atendimento ao cliente e tecnologia. Afinal, os agentes consideram a experiência real do consumidor, não apenas o discurso da marca. Tempo de entrega, facilidade de devolução e clareza no checkout influenciam diretamente se um agente vai ou não recomendar aquela empresa.

Com esta mudança, podemos ver a criação de uma nova disciplina, a de AEO (Agent Experience Optimization). Ou seja, a proposta é otimizar não apenas para mecanismos de busca, mas para motores de decisão automatizados, que operam com base em intenção, contexto e histórico, e não em palavras-chave isoladas.

Na prática, isso significa que o SEO do futuro será menos sobre “como aparecer primeiro” e mais sobre como ser a melhor escolha quando um agente compara opções. Em vez de disputar cliques, as marcas passam a disputar confiança algorítmica. Um movimento silencioso, mas profundo, que redefine as regras do comércio digital e antecipa um cenário em que a decisão de compra acontece antes mesmo do consumidor chegar à página de um produto.

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