Além dos grupos privados, aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram abrigam milhares de grupos públicos de discussão — ambientes que ganharam a atenção de empresas especializadas em pesquisa, análise de dados e monitoramento de opinião.
Somente no WhatsApp, estima-se a existência de cerca de 100 mil grupos públicos ativos e rastreáveis. Esses espaços passaram a integrar o radar de ferramentas de monitoramento por reunirem debates mais espontâneos e menos filtrados do que aqueles observados em redes sociais abertas, como Instagram, X ou Facebook.
A Folha de S.Paulo analisou recentemente manifestações de participantes desses grupos sobre o caso Banco Master.
O levantamento revelou como esses ambientes funcionam como termômetro de percepções sociais e ajudam a mapear sentimentos, narrativas e tendências de opinião que muitas vezes não aparecem com a mesma intensidade em plataformas tradicionais.
A principal razão para o interesse das empresas é o comportamento dos usuários: em grupos públicos de WhatsApp e Telegram, as pessoas tendem a se expressar de forma mais direta e menos autocensurada, o que torna o conteúdo especialmente valioso para análises qualitativas.
No WhatsApp, não existe um mecanismo nativo de busca por grupos. Para que um grupo seja “público”, o administrador precisa gerar um link de convite e divulgá-lo em sites, fóruns ou redes sociais.
Qualquer pessoa com esse link pode ingressar, mas há um ponto sensível: o número de telefone de todos os participantes fica visível para os demais membros. Atualmente, um grupo pode reunir até 1.024 pessoas.
Grupos públicos no Telegram
Já o Telegram opera de maneira diferente e mais próxima de uma rede social. A plataforma permite buscar grupos por tema ou palavra-chave, sem a necessidade de links de convite. Além disso, comporta até 200 mil participantes em um único grupo, o que amplia significativamente seu alcance.
Outro diferencial é a possibilidade de ocultar o número de telefone, identificando-se apenas por um nome de usuário (@). Esse conjunto de recursos torna o Telegram especialmente atrativo para acompanhar canais de notícias, participar de grupos de estudo e utilizar bots automatizados.
Paralelamente, surgem e se consolidam serviços que oferecem monitoramento de discussões no WhatsApp, como Palver, Parentaler, MonitorarApp, FlexiSPY e iKeyMonitor. É importante destacar que essas ferramentas não quebram a criptografia do aplicativo. O funcionamento ocorre de outra forma: o software precisa ser instalado diretamente no telefone que se deseja monitorar.
Uma vez autorizado, o aplicativo passa a acessar as mensagens já descriptografadas no próprio dispositivo, capturar notificações ou até registrar o conteúdo exibido na tela, enviando essas informações para um painel online de acompanhamento.
Diante desse cenário, reforçamos uma recomendação básica de segurança digital: ao participar de grupos públicos, evite clicar em links suspeitos e jamais compartilhe dados pessoais. O cuidado deve ser redobrado no WhatsApp, onde a exposição do número de telefone aumenta os riscos de golpes, fraudes e abordagens indesejadas.

